Fiscalização punitiva ativa desde 26/05/2026

Guia NR-1 para RH e diretoria: o que muda e como reagir.

A NR-1 colocou os riscos psicossociais — estresse, sobrecarga, assédio, jornadas excessivas — dentro do PGR, com o mesmo rigor do risco físico. Este guia direto te mostra o que mudou, o custo de ignorar e o caminho prático pra responder sem pânico.

Leitura de ~8 min · Atualizado em junho/2026 · Por BoraFit
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CAPÍTULO 1

O que mudou na NR-1 — e quando começou a valer.

A Portaria MTE 1.419/2024 (com regras de transição na 765/2025) incluiu os Fatores de Riscos Psicossociais Relacionados ao Trabalho no inventário de riscos do PGR. Na prática: estresse crônico, sobrecarga, assédio, metas insustentáveis, jornadas excessivas e clareza de papéis deixaram de ser "tema de clima" e viraram obrigação documental para toda empresa com empregados CLT.

A fiscalização com multas começou em 26 de maio de 2026. A CTPP reafirmou que não haveria novo adiamento — e o MPT já considera fatores psicossociais em ações civis públicas independentemente do cronograma do MTE.

A lógica mudou: a norma exige prevenção ativa e documentada. Esperar o adoecimento aparecer pra só então agir contraria diretamente o espírito da NR-1.
CAPÍTULO 2

O custo de não agir — multa é só o começo.

O afastamento por saúde mental virou epidemia corporativa, e isso aparece no caixa muito antes da multa.

472 mil
afastamentos por transtornos mentais em 2024 (+68% vs 2023)
US$ 322 bi
de perda global por ano com burnout
15–20%
da folha consumidos por demissões ligadas à exaustão
R$ 12.645
multa máxima por PGR sem riscos psicossociais (NR-28)

Além da multa direta (NR-28, que dobra na reincidência), há três custos que pesam mais e por mais tempo:

  • FAP agravado: o Fator Acidentário de Prevenção sobe com o adoecimento e encarece a contribuição sobre a folha por anos.
  • Passivo trabalhista: manter gestão tóxica ou cargas insustentáveis vira passivo documentável e combustível para ações do MPT.
  • Rotatividade: a fuga de talentos por exaustão corrói produtividade e memória institucional — silenciosa e cara.
CAPÍTULO 3

O que o seu PGR precisa conter agora.

Adequar-se não é encomendar um laudo. A norma pede gestão contínua, evidenciada no PGR. No mínimo:

  • Inventário de riscos atualizado, incluindo os fatores psicossociais por área/grupo.
  • Critérios de avaliação e priorização (ex.: severidade × probabilidade) com registro de decisões.
  • Plano de ação com responsáveis, prazos, evidências e indicadores.
  • Registros de consulta e comunicação aos trabalhadores (escuta segura, parceria com a CIPA).
  • Rotina de acompanhamento e revisão — reavaliação no mínimo a cada 2 anos ou quando houver sinais de ineficácia.
Regra de ouro da gestão: não se gerencia o que não se mede. Sem dados de adesão e engajamento, não há como comprovar gestão preventiva — e, numa auditoria, o que não está documentado simplesmente não conta.
CAPÍTULO 4

Por que vale-academia não basta.

Aqui está o erro mais comum — e o mais caro. Oferecer um benefício de academia (marketplace tipo Wellhub, TotalPass, Gympass) dá ao colaborador o direito de escolher onde treinar. Mas a NR-1 não pede que você ofereça acesso: pede medida preventiva ativa, dirigida e documentada.

Um benefício isolado — academia, app de meditação, palestra pontual — não configura gestão de risco quando ninguém direciona, acompanha e comprova. A adesão típica de marketplace fica em 18–22%; o resto da cota vira custo parado, e o PGR continua sem evidência de prevenção real.

Prevenção que conta é a que:

  • Direciona — prescreve o que fazer, pra a pessoa real (não um vídeo aleatório).
  • Engaja — sustenta o hábito (metas, sequência, conquistas).
  • Documenta — gera o dado de adesão que entra no plano de ação como evidência.
CAPÍTULO 5

Do compliance à retenção de talento.

Cumprir a norma é o piso. O diferencial competitivo aparece quando o cuidado vira cultura — e isso retém gente.

86%
consideram o bem-estar tão importante quanto o salário
85%
deixariam empresa que não prioriza saúde mental
89%
performam melhor quando o bem-estar é priorizado
44%
das perdas de talento são por clima e liderança, não salário

Salário deixou de ser o único fator de decisão. Um programa dirigido que a pessoa realmente usa vira marca empregadora — não um vale esquecido na carteira.

CAPÍTULO 6

Checklist prático do RH.

  • Auditar o PGR atual: ele já contempla fatores psicossociais ou só riscos físicos tradicionais?
  • Consolidar indicadores: absenteísmo (com foco em saúde mental), turnover voluntário, denúncias.
  • Estruturar escuta segura (com a CIPA) — canais anônimos, tolerância zero à retaliação.
  • Definir plano de ação com responsáveis, prazos, evidências e indicadores.
  • Implantar uma medida preventiva dirigida e mensurável de movimento/saúde.
  • Gerar evidência mensal de adesão e anexar ao plano de ação do PGR.
  • Estabelecer rotina de revisão (mínimo a cada 2 anos ou ao primeiro sinal de ineficácia).
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Aviso legal. Este guia é informativo e não substitui orientação jurídica ou de SST. O BoraFit é uma medida complementar de promoção de saúde: não substitui a avaliação formal de riscos psicossociais, o PGR, a AEP nem o trabalho do SESMT e da medicina do trabalho exigidos pela NR-1. Recomendamos conduzir a adequação com o seu serviço de Segurança e Saúde no Trabalho.
Fontes: Ministério do Trabalho e Emprego (NR-01 / NR-17 / NR-28, Portarias 1.419/2024 e 765/2025); Ministério da Previdência Social; Wellhub — Panorama do Bem-Estar Corporativo 2026; Robert Half. Estatísticas citadas em caráter informativo.